A maioria dos analistas sequer se arrisca a desenhar prognósticos econômicos para além de 2009. É bastante corajoso aproveitar o momento para pensar o que isso significa para a construção da sustentabilidade e de uma nova economia. E é isso que faz Abranches na sua coluna, no portal O Eco.
Em resumo, o jornalista vai muito além dos primeiros desdobramentos mais óbvios: 1 – com recessão, o crescimento diminuiu, com ele as emissões de carbono e o clima sofrerá menos. 2 – Por outro lado, diversas ações perpetradas pelo mercado, sobretudo aquelas ligadas a RSA (responsabilidade socioambiental das empresas) podem perder força. Em tempos de crise, o que se encara como “perfumaria” tende a minguar.
Mas num cenário mais amplo, argumenta Abranches, os investidores também tenderão a ficar mais cautelosos. Depois de recuperado o ambiente de investimento, é inevitável atentar para o custo-carbono, cada vez mais premente, seja pela ação taxadora de governos, seja pela demanda do próprio mercado.
“Investir em uma termelétrica, por exemplo, será investir em um negócio que pode se tornar economicamente inviável em menos de uma década. O mesmo se pode dizer da siderurgia, da petroquímica e de tantos outros setores que dominaram a indústria “moderna” no século XX”, diz Abranches. É uma aposta, claro. Mas de tão sensata, dá até pra ensaiar a velha sabedoria de que há males que vem pra bem.