Foi pensando nessas coisas que descobri o fenômeno da ecoansiedade. A nova síndrome vem se alastrando nos Estados Unidos, entre os ambientalistas atormentados com sua própria pegada ecológica e os rumos da civilização (joga no Google "eco-anxiety"). A eco-terapeuta Sarah Edwards fez até um blog especializado em discutir o tema.
Como jornalista, esse fenômeno me provoca uma preocupação ainda maior: se tem tanta gente doida, deprimida e ansiosa por causa da crise ambiental, será que não estamos falhando na maneira de comunicar a cultura da sustentabilidade? Será que as campanhas socioambientais, com suas mensagens de fim de mundo e danação eterna para aqueles que consomem inescrupulosamente os recursos naturais, estimulam realmente a mudança de comportamento?
E já que estamos falando de tormentos psíquicos, decidi consultar psicólogos e psiquiatras para iluminar essa discussão. Eis um pouco do que me fizeram enxergar:
- A idéia de "perda do mundo" remete à própria morte. Já repararam como ninguém gosta de falar de morte? Na nossa cultura, os doentes e os moribundos costumam ser afastados do convívio social, exatamente por causa desse mal-estar. Conclusão: associar a mensagem socioambiental ao catastrofismo pode ter o efeito inverso ao desejado, ou seja, pode levar o tema ao mesmo status de tabu da morte humana.
- Lembram das campanhas anti-drogas em que reinava o bordão "A droga mata!"? Pois é. Não funcionou. Isso porque o usuário de drogas sabe que ele usa e não morre. Da mesma maneira, uma pessoa que não recicla não sente e nem vê o mundo se deteriorando ao seu redor. Conclusão: dá mais trabalho, mas é muito mais eficiente educar as pessoas do que tentar convencê-las simplesmente.
- O cérebro humano está programado para economizar energia. É por isso que a gente cria hábitos. No modo "piloto automático" o cérebro economiza energia, portanto, toda mudança de hábitos gera um desgaste mental. Conclusão: reformular comportamentos (como deixar o carro na garagem, por exemplo) já é um estresse. Agora, tentar incentivar as pessoas a fazer isso com mensagens ainda mais estressantes é um tiro que sai pela culatra.
Acho que todos esses insights rendem uma boa discussão para os comunicadores. Talvez o caminho seja encontrar maneiras de inspirar, emocionar e motivar as pessoas. E não aterrorizá-las.
Agradecimentos à Dra. Ana Paula Lopes Carvalho e à Dra. Marisa Verdade que participaram desse toró de parpite.
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