Em artigo publicado na Folha de S. Paulo de hoje, ela acusa o ministro de desconhecer os marcos legais apropriados e os esforços daqueles que “trabalharam incansavelmente para levar o país a um patamar conceitual e jurídico compatível com a responsabilidade de ter um patrimônio ambiental incomparável”.
O que mais me chamou a atenção foi seu comentário publicado no G1, sobre a transformação em lei da MP 422, objeto do post da semana passada. Ao aprovar a regularização de posseiros em terras públicas, sem submeter esse processo aos zoneamentos econômico-ecológicos (ZEE) dos estados, o presidente Lula foi “contraditório”, na avaliação de Marina.
Ela ainda ressaltou um ponto que não me ocorreu comentar na semana passada, mas que é primordial. A nova lei não apenas pode premiar grileiros e criminosos ambientais já na ativa, como cria um ambiente de expectativa que pode levar outros a desmatar e ocupar florestas públicas, de olho na regularização do patrimônio fácil. “É uma ameaça aos mais de 25 milhões de hectares das áreas de floresta que ainda não foram legalmente destinadas", alerta a ex-ministra.
Todos nós ficamos decepcionados quando ela saiu do MMA. Chegou até a reinar um clima de “agora já era...”. Mas depois de assentada a poeira, acho que Marina vem sendo muito mais útil na sua nova posição independente.
Sempre que ela quiser falar sobre qualquer assunto ambiental as pessoas vão querer ouvi-la, no Brasil e no exterior. Para mim, um sinal pequeno, mas muito significativo desse poder foi o editorial publicado pelo Estado de S. Paulo sobre o assunto da MP.
Eu sou assinante do jornal, gosto de vários pontos de vista, mas sempre que a Amazônia vira tema de opinião eu respiro fundo antes da leitura, imaginando que lá vem mais uma análise simplista e unilateral da coisa. Não dessa vez. Fiquei impressionada com a clareza com a que a voz de Marina foi ouvida, no texto Lei Perigosa para a Floresta. Quem é leitor do Estadão vai entender que o tom foi muito diferente dos editoriais que costumam aparecer por lá.
Que bom. Ajudar a moldar algumas mentes pode ser uma missão tão importante para Marina agora quanto foi o ministério.