O Seminário Nacional de Inclusão Digital trouxe hoje dois palestrantes para discorrer sobre "Arranjos Produtivos, Avanços Tecnológicos e Participação Popular". Cristina Kiki Mori, do Ministério do Planejamento, e Marcos Mazoni, presidente do Serpro, contaram as experiências dos telecentros criados pelo governo federal e sobre os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRC).
Mori apresentou dados sobre o acesso à internet brasileira. Em 2005, cerca de 32 milhões de pessoas tinham acesso à rede de computadores, representando 21% da população do país. E esse número praticamente estagnou em comparação ao ano seguinte. Se em 2005 67,8% da população nunca tinha acessado a internet, em 2006 esse número caiu um pouco mais de 1%. Apesar disso, no ano retrasado, cerca de 2,2 milhões de pessoas compraram seu primeiro computador pessoal, e, em 2007, aproximadamente 10 milhões de computadores foram vendidos no país.
A grande luta para a inclusão digital é espalhar o acesso entre a população mais carente. Aproximadamente 93,5% das pessoas pertencentes à classe A acessaram a internet nos últimos 3 meses, enquanto nas classes mais baixas esse índice não chega em 10%. "As regiões Sudeste e Sul são as com mais telecentros, mostrando a concentração comum que existe entre os estados do país. Mas, também, são as regiões com mais pessoas, então, quanto mais telecentros melhor", relativiza.
Para tentar contornar esse problema, o governo federal criou diversos programas como os telecentros e os CRCs. O objetivo é que esses dois projetos trabalhem juntos, já que os centros de redirecionamento utilizam computadores que estavam obsoletos, equipam-os melhor e doam-os para os telecentros. A estimativa é que a cada quatro computadores que chegam, um é reutilizado. "Para que um projeto como esse funcione, nós precisamos de um suprimento regular de equipamentos e apoio logístico para conseguir transportar os computadores por todo o Brasil, que dá muito trabalho", conta.
E é para auxiliar essa estrutura que o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) ajuda os telecentros e outros programas de inclusão digital. "Tudo começou com o objetivo de abrir telecentros em apenas cidades pequenas que tinham baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Começamos, em 2003, pelo Paraná. Se pegarmos o índice e analisarmos os três estados do Sul, entre os 10 com melhores condições, três estão no Paraná. Mas, se pegarmos as cidades com mais baixo índice, as 10 estão no Paraná. É o Estado com o maior abismo social", explica Marcos Mazoni.
O objetivo do Serpro não é só distribuir os computadores, mas participar das doações. Em algumas cidades, em vez de apenas montarem a infra-estrutura para os centros, o órgão fez uma parceria com o Ministério da Cultura para que os telecentros tivessem elementos das Casas de Cultura, unindo assim literatura e inclusão digital. "Nós já estamos com 140 telecentros no Brasil e temos o compromisso de chegar a 400 montadas ainda neste ano", explica.